De acordo com os números da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de adultos obesos supera um bilhão de pessoas no mundo todo, fazendo com que o problema seja considerado uma epidemia mundial. E, no caso das mulheres, a crise é ainda maior.
Um estudo realizado no Hospital St. Mary´s, em Londres, reuniu 696 mulheres e dividiu em três grupos: as com peso normal, as mulheres acima do peso e as obesas, com índice de Massa Corporal (IMC) equivalente ou superior a 30.
A conclusão é que mulheres que já sofreram um aborto considerado espontâneo e sem nenhuma razão têm 73% mais de chances de passar novamente pela mesma situação se estiverem acima do peso. Outro dado importante é que a incidência do fato foi semelhante entre todas as mulheres do grupo, porém, o risco era maior entre as mulheres obesas e aquelas que já possuíam uma idade avançada.
A enfermeira especializada que apresentou o estudo em Montreal, Winnie Lo, afirmou que esse foi o primeiro estudo a analisar diretamente a ligação entre Massa Corporal e aborto, servindo para alertar as pacientes em relação à alimentação antes e durante a gravidez, atitude essencial para o bom desenvolvimento do feto.
Quem já estiver grávida, entretanto, em hipótese nenhuma deve seguir uma dieta para reduzir o peso. Esse gesto é extremamente prejudicial para a saúde da mãe e do bebê. O ideal é emagrecer antes da gestação.
Para o endocrinologista e especialista do Hospital Addenbrooke´s Nick Finer, a conclusão da pesquisa não surpreende. Afinal, a obesidade já é considerada culpada por problemas de infertilidade, já que o excesso de gordura abdominal pode provocar o surgimento de ovários micropolicísticos, principal causa de baixa fertilidade. Porém, os danos não param por ai. As chances de malformação fetal aumentam, junto a riscos de outras adversidades durante a gestação.