Viajar é um ótimo recurso para descansar, conhecer novas culturas e se divertir. No entanto, é importante que as pessoas se previnam antes de embarcar, principalmente se os locais de destino possuem algum histórico de doenças infecciosas. "Em todas regiões do Brasil, principalmente na Norte e Centro-Oeste, há risco de transmissão de febre amarela, por exemplo. Recomendamos aos pacientes que tenham viagens marcadas para localidades de risco a tomarem a vacina contra o vírus causador da doença pelo menos 10 dias antes de embarcarem", alerta o infectologista Paulo Furtado.
O médico lembra que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) possui um Centro de Informação em Saúde para Viajantes (Cives), que funciona desde 1997 e tem entre seus objetivos principais informar viajantes sobre as doenças endêmicas que podem ser encontradas em todas as regiões brasileiras e também no exterior. "Identificar os riscos de contrair doenças nos lugares para onde vai viajar é muito importante e, normalmente, é a última coisa que as pessoas pensam antes de curtir as férias", comenta.
De acordo com o infectologista, a eficácia de uma vacina depende, muitas vezes, da doença a qual ela combate. "A gripe e a febre amarela são apenas alguns exemplos de doenças que podem ser bastante atenuadas se o indivíduo for vacinado", informa, acrescentando que as medidas preventivas também são essenciais em certos locais. "Em áreas com risco de transmissão de malária, por exemplo, é importante fazer uso, sempre que possível, de calças e camisas de manga comprida e repelentes, visto que para essa doença não existe vacina."
Coágulos e crises de labirintite são comuns em viagens Não transforme a viagem de avião em tortura
Muitos
já desistem de viajar bem antes do embarque, ao pensar na distância que
os separa do local escolhido para passar as tão sonhadas férias.
Entretanto, um vôo longo não precisa ser encarado como uma tortura e,
sim, como parte do passeio. Se o viajante seguir algumas dicas
preciosas, os efeitos do jet lag (fadiga, insônia, dor de cabeça,
dificuldade de concentração, entre outros) sentidos após o desembarque
podem ser facilmente controlados. O clínico geral Fabrício Braga, da
Casa de Saúde São José, explica que optar pelos vôos diurnos é a melhor
forma de evitar o problema, porém explica que, caso o vôo seja noturno,
dormir é o melhor remédio para livrar-se do desconforto.
"Várias
receitas são indicadas para quem precisa fazer viagens com mais de dez
horas. Entretanto, relaxar durante o vôo certamente garante um
desembarque com mais disposição", comenta, alertando os que acreditam
que tomar medicamentos para dormir e beber uma dose de uísque ajuda a
aliviar a tensão: "Nunca faça uso simultâneo de bebidas e remédios.
Desconhecemos os efeitos dessa perigosa mistura".
A roupa a ser
usada na viagem também deve ser a mais confortável possível. A baixa
pressão atmosférica na aeronave faz o corpo "dilatar" e, portanto,
qualquer peça de roupa ou calçado vai parecer um número menor. "Há
pessoas que têm a mania de viajar de terno. Isso é péssimo. Não há nada
mais adequado do que uma calça de moletom, camisas largas e sapatos
confortáveis", ressalta o médico, acrescentando que casacos são
imprescindíveis, visto que a temperatura costuma ser baixa no interior
da aeronave.
Segundo recente estudo publicado pela revista
médica "The Lancet", um em cada cem passageiros pode sofrer de trombose
venosa profunda em vôos de longa distância, mesmo se viajar na classe
executiva, tomar aspirina ou usar meias de compressão. Pesquisadores
neozelandeses entrevistaram 900 passageiros que ficaram pelo menos dez
horas num vôo, numa média de 39 horas voadas em seis semanas. Embora 17%
dos passageiros tenham usado meias de compressão e 31% tomado aspirina,
foram descobertos nove casos.
Fabrício Braga, clínico-geral da Casa de Saúde São José, confirma que
a trombose é um dos principais problemas para quem viaja por muitas
horas, principalmente para as mulheres acima dos 50 anos e que tenham
problemas de varizes. Ele explica que o problema, conhecido popularmente
como "síndrome da classe econômica", provoca a formação de coágulos
sangüíneos bastante perigosos nas pernas dos viajantes. "Apesar de serem
100% eficazes, as meias elásticas devem ser utilizadas. É bom que o
passageiro também levante-se pelo menos de três em três horas", orienta.
Labirintite e vôo
Os que sofrem de
labirintite, uma inflamação do labirinto, formação interna do ouvido que
é responsável pelo senso de equilíbrio, não precisam se preocupar.
Apesar de terem chances de sentir os efeitos da doença em momentos como o
da decolagem e o da aterrissagem, eles podem ficar tranqüilos e, antes
de viajar, tomar o medicamento com o qual já estão acostumados. "Quem
sofre de labirintite, mesmo que não esteja com os sintomas, deve tomar o
medicamento antes de viajar como medida profilática", informa o clínico
geral.
Na opinião do especialista, quem viaja para o exterior
principalmente deve ter sempre uma "mini-farmácia" na mala. "É muito
difícil comprar remédios fora do país. Nos Estados Unidos, por exemplo, é
preciso marcar consulta para conseguir a receita com a assinatura de um
médico americano. Ter à mão analgésicos, anti-alérgicos e antibióticos
que tenham efeito para infecções intestinais é sempre bom", frisa,
lembrando que o telefone do médico de confiança também deve estar bem
guardado caso surjam emergências.
