Bebê prematuro: sintomas, tratamentos e causas

REVISADO POR
Dr. Armindo Dias Teixeira
Ginecologia e Obstetrícia - CRM 45547/SP
especialista minha vida

Visão Geral

O que é Bebê prematuro?

Sinônimos: bebê pré-termo, prematuridade

Bebê prematuro é aquele que nasce com até 36 semanas e seis dias de gestação e também pode ser chamado de pré-termo. Cerca de 9,2% dos nascimentos no Brasil são prematuros.

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Tipos

Em geral o bebê prematuro é classificado de acordo com a idade gestacional:

  • Bebê prematuro limítrofe: nascido entre 37 e 38 semanas
  • Bebê prematuro moderado: nascido entre 31 e 36 semanas
  • Bebê prematuro extremo: nascido entre 24 e 30 semanas.

Quanto maior a prematuridade do bebê, maiores os riscos para a sua saúde, pois é possível que a criança não tenha se desenvolvido completamente.

Causas

As causas do nascimento de um bebê prematuro em geral são maternas, ou seja, são condições que a mãe apresenta. Entre elas, podemos destacar:

No entanto, algumas condições do bebê também podem levar ao nascimento de um bebê prematuro. Confira algumas delas:

  • Malformações fetais
  • Presença de síndrome genética.

Sintomas

Sintomas de Bebê prematuro

O bebê prematuro, antes de tudo, é bem menor do que um bebê nascido a termo. Em geral ele mede menos do que 46 centímetros e pesa menos do que 2,5 quilos, mas pode chegar a pesar até mesmo 1 kg. Ainda nas características físicas, o bebê prematuro apresenta:

  • Cabeça desproporcionalmente grande
  • Membros mais finos, por ter menos depósitos de gordura
  • Postura mais relaxada, já que os músculos ainda não têm a tendência para flexão dos membros
  • Pele mais fina, sendo possível ver algumas veias
  • Órgãos genitais não totalmente formados.

O bebê prematuro também costuma ter dificuldades em manter o calor do corpo, por não ter muitos depósitos de gordura no corpo. Por isso mesmo, a temperatura do seu corpo tende a ser equivalente a do ambiente.

Complicações respiratórias são comuns nos bebês prematuros, podendo até mesmo desenvolver uma síndrome da dificuldade respiratória. Esses bebês também podem não ter reflexos de sucção e deglutição, o que pode trazer dificuldades na hora de se alimentar.

No entanto, essas características variam de acordo com o grau de prematuridade da criança.

Diagnóstico e Exames

Diagnóstico de Bebê prematuro

Durante a gestação o ginecologista calcula o tempo gestacional a partir do dia da última menstruação e dessa forma ele estima em que estágio da gravidez a mulher está.

Se a criança nasce antes de serem completadas 37 semanas, ela já é considerada um bebê prematuro. O médico então observará quais são as características dessa criança e buscará a melhor forma de cuidar dela. Para tanto, ele poderá pedir alguns exames, como:

  • Verificação do nível de oxigênio no sangue
  • Níveis séricos de glicose, cálcio e bilirrubina
  • Raio X do tórax
  • Monitoramento da respiração e taxa cardíaca
  • Ultrassom, para verificação dos órgãos internos do bebê
  • Ecocardiograma
  • Exame de vista, já que uma das complicações possíveis é a retinopatia de prematuridade.

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Bebê prematuro

Em geral a criança que nasceu muito prematura deverá ficar na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do hospital, com aparelhagem que permita acompanhar a evolução de sua saúde. Nesse berçário, ele será exposto aos seguintes procedimentos:

  • O bebê prematuro será colocado na incubadora, que o ajudará a manter a temperatura corporal ideal
  • Haverá constante monitoramento dos sinais vitais do bebê prematuro, como pressão arterial, batimentos cardíacos e respiração
  • Provavelmente o bebê prematuro receberá alimentação intravenosa ou o leite materno poderá ser dado a ele através de um tubo que entre pelo nariz e vai até o estômago, até que o bebê tenha o reflexo de sugar e engolir
  • Os níveis de sódio, potássio e fluídos no corpo do bebê prematuro também serão monitorados, para que possam ser repostos conforme as necessidades da criança
  • Muitas vezes o bebê prematuro precisa receber transfusões sanguíneas, pois ele pode não ter a capacidade de produzir suas células vermelhas por conta própria.

Ele também pode precisar tomar medicamentos ou até mesmo passar por algum tipo de cirurgia, conforme as complicações que ele pode desenvolver.

Enquanto o bebê prematuro está na Unidade Neonatal do hospital, em que será cuidada por uma equipe completa de profissionais de saúde. Quando estiver em contato com esses especialistas, você pode fazer uma série de perguntas sobre o bebê prematuro conforme o quadro for avançando, como por exemplo:

  • Quais as condições do meu bebê? Algo mudou?
  • Como esses equipamentos ajudam meu bebê?
  • Meu bebê está tomando alguma medicação?
  • Que tipos de exames meu bebê precisa fazer?
  • Como devo segurar meu bebê? Você pode me mostrar?
  • Por quanto tempo ele continuará sendo alimentado por tubos?
  • Quando posso tentar amamenta-lo?
  • Quem eu devo contatar se tiver alguma dúvida sobre os cuidados com meu bebê?
  • Posso trazer um cobertor ou fotos da minha família para a incubadora do meu filho?
  • O que posso ajudar no cuidado do meu bebê enquanto ele está na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal?
  • Quando meu bebê poderá voltar para casa?
  • O que preciso saber sobre os cuidados com meu bebê uma vez que ele esteja em casa?
  • Com que frequência devo voltar para fazer as visitas de retorno após a alta?

Quando o bebê está em condições de saúde estáveis e pesando mais de 2 quilos já pode receber todas as vacinas necessárias.

Em geral, o bebê pode ir para casa após atender os seguintes quesitos:

  • Conseguir respirar sem ajuda
  • Conseguir manter a temperatura corporal
  • Conseguir mamar no peito da mãe ou na mamadeira
  • Ganhar peso de forma estável e constante
  • Não ter nenhuma infecção.

Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

O bebê prematuro precisa de uma série de cuidados em casa, principalmente nos primeiro meses. Em geral, a equipe médica orientará você sobre como devem ser esses cuidados e é importante que você tire toda e qualquer dúvida com eles. Entender quais são os sintomas que podem significar uma emergência médica também é essencial.

Veja quais são os principais pontos de atenção nos cuidados do bebê prematuro em casa:

  • Alimentação: muitos bebês prematuros precisam de suplementação, seja com fortificadores do leite materno, seja com formulas para bebês prétermo. Saber também com que frequência e qual quantidade com que seu filho deve se alimentar também é importante
  • Proteção à saúde: evitar locais lotados e garantir que as pessoas que entram em contato com seu bebê lavem as mãos são boas formas de prevenir infecções, já que os bebês prematuros são mais propensos a tê-las. As infecções respiratórias são as mais comuns, por isso é comum que ele receba uma imunoglobulina chamada palivizumabe, que o protege contra o vírus sincicial respiratório
  • Visitas ao médico: as idas ao pediatra e outros profissionais de saúde que acompanham seu bebê devem ser feitas na frequência correta, que pode chegar a ter uma frequência semanal ou quinzenal inicialmente, para que o crescimento e desenvolvimento do bebê prematuro seja acompanhado
  • Calendário de vacinação: os bebês prematuros devem seguir uma vacinação específica, que será orientada pelo pediatra, em geral seguindo a idade cronológica do bebê. Confira o calendário dos prematuros da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Complicações possíveis

O bebê prematuro está sujeito a uma série de complicações que aumentam de risco conforme o grau de prematuridade. Veja algumas delas:

Icterícia

Esse é o nome da cor amarelada típica da icterícia é provocada pela bilirrubina, uma substância da mesma cor que é produzida na bile e que permanece no plasma até ser eliminada junto com a urina.

A bilirrubina é formada a partir da morte de alguns glóbulos vermelhos presentes no sangue – o que acontece todos os dias. Essas células sanguíneas mortas são retiradas da circulação pelo fígado, que, a partir daí, forma a bilirrubina, que mais tarde será descartada pelo próprio corpo. No entanto, algumas vezes, pode ocorrer o acúmulo dessa substância no corpo, provocando icterícia.

No bebê prematuro, no entanto, ela pode levar a complicações como a encefalopatia bilirrubínica, que causa letargia, hipotonia, febre e convulsões. Essa complicação é tratada com fototerapia. Bebês com icterícia também podem ter hiperglicemia ou hipoglicemia, anemia, disfunções renais, hérnia inguinal, entre outros quadros.

Retinopatia da prematuridade

Esse problema nos vasos sanguíneos da retina está relacionado não só à prematuridade, como também ao baixo peso ao nascer. Nela, não há irrigação de sangue adequada na retina da criança. Caso o quadro não seja diagnosticado e tratado adequadamente (com técnicas como a crioterapia), pode levar ao deslocamento da retina e até mesmo à cegueira infantil.

Apneia

Apneia é a parada respiratória e, no caso do bebê prematuro, pode ocorrer por que o sistema respiratório não está desenvolvido o suficiente ou devido a outras das complicações da prematuridade, como as convulsões. A parada dura entre 15 e 20 segundos, mas pode causar sequelas no sistema nervoso central.

Problemas cardiovasculares

Bebês prematuros podem ter problemas de hipotensão, que é a pressão arterial baixa, e persistência do canal arterial, ou seja, o duto arterioso que liga o coração à aorta não está fechado. O duto pode se fechar sozinho, no entanto, não tratar essa condição pode causar falência do coração.

Expectativas

Após o nascimento é difícil prever quão saudável o bebê prematuro poderá ser. Em geral, depois de passarem bem pela fase logo após o nascimento, as chances de uma vida saudável são maiores. A maior parte dos bebês prematuros limítrofes e moderados (nascidos após, no mínimo, 32 semanas de gestação) ficam bem após o nascimento.

Já os bebês nascidos antes de 26 semanas ou com menos de um quilo tem mais chances de problemas de cognição e aprendizado e também de paralisia cerebral.

Prevenção

Prevenção

Alguns hábitos podem aumentar o risco do parto prematuro. Veja quais são eles e como evita-los:

Tabagismo

Este é um dos hábitos mais criticados em mulheres grávidas. O fumo prejudica a circulação uteroplacentária que causa uma menor oxigenação fetal. A diminuição do oxigênio que chega ao bebê faz com seu crescimento se torne mais restrito, o que gera uma interrupção prematura da gestação, ou seja, a mulher entra em trabalho de parto antes da hora. Além disso, o tabaco reduz a inativação de um fator que está envolvido no início e na manutenção do trabalho de parto, adiantando todo o processo. O fumo que é fator de risco para o parto prematuro quando continuado ao longo dos nove meses. As mulheres que fumam e descobrem que estão grávidas, mas abandonam o vício imediatamente no início da gravidez não correm os mesmos riscos.

Desnutrição

Futuras mães que não se alimentam de forma adequada durante a gravidez também colocam seus bebês em risco. Principalmente se surgirem casos de anemia durante este período. Ao consumir poucos dos nutrientes essenciais, não só a mulher se prejudica, como a criança: pode haver uma restrição do crescimento do feto também. Isso aumenta risco de sofrimento fetal e morte, o que leva a interrupção da gestação antes do tempo. Os nutrientes como ácido fólico, vitamina C, cálcio, magnésio, potássio, ferro, entre outros, são considerados essenciais para a saúde da gestante e do feto.

Obesidade

Por outro lado, mulheres obesas também trazem riscos à duração da gestação. No caso, o dano é maior quando elas já apresentam o índice de massa corporal (IMC) muito acima do aconselhado antes da gravidez. Há maior risco de existirem quadros como diabetes e hipertensão arterial, que contribuem para a prematuridade. A alta da pressão arterial, por exemplo, causa um envelhecimento precoce da placenta, impedindo a chegada dos nutrientes para o bebê.

Álcool

A bebida alcoólica também não tem uma boa relação com a gravidez. O mecanismo específico de como o álcool causa trabalho de parto prematuro é desconhecido, mas além de aumentar risco de infecções, ele causa o descolamento prematuro de placenta. Como se isso não bastasse, esse macronutriente é passado diretamente para o feto na placenta, fazendo com que ele tenha todos os efeitos no sistema circulatório do bebê também. E muitas vezes o hábito de beber também está relacionado à má alimentação.

Estresse

Hábitos que cultivam o estresse só pioram o risco do trabalho de parto se iniciar antes da hora. E a culpa disso tudo é dos hormônios ativados por esse quadro emocional. A elevação da noradrenalina e do cortisol, que está presente nesses casos, desencadeia contrações uterinas. Isso porque essas substâncias estão ligadas ao processo hormonal do parto. Por isso mesmo, vale a pena combater esse mal, encontrando pausas de descanso, praticando atividade física e cuidando de si.

Desidratação

A redução de líquido amniótico também pode causar um parto prematuro, até porque é uma condição que prejudica questões o crescimento do feto, como o desenvolvimento de seus pulmões, por exemplo. Muitas vezes essa redução ocorre por algum problema na troca entre a mãe e o bebê, aí não há o que se possa fazer. Mas consumir pouca água também pode ajudar a deixar esse líquido menor. A ingestão de 2 a 3 litros de água por dia poderia evitar essa redução.

Abuso de açúcar

Durante a gestação, a placenta produz hormônios que bloqueiam em parte a ação da insulina no corpo, hormônio que atua na retirada da glicose do sangue. Isso pode gerar um quadro chamado de diabetes gestacional, e consumir grandes quantidades de açúcar, principalmente o de adição, não ajuda em nada na prevenção do problema, que está ligado também a partos prematuros. Acredita-se que esse excesso de glicose gera um aumento do feto e do líquido amniótico, causando uma extensão do útero. Quando esses músculos se expandem muito, o trabalho de parto pode se desencadear mais cedo, mas isso é apenas uma teoria.

Fontes e referências

  • Jorge Huberman, pediatra e neonatologista (CRM-SP 34.486)
  • Silvia Herrera, ginecologista, obstetra e coordenadora de medicina fetal do Salomão Zoppi Diagnósticos (CRM-SP 107.923)
  • Roberto Eduardo Bittar, professor associado do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP (CRM-SP 39.632)
  • Sociedade Brasileira de Imunizações
  • Sociedade Brasileira de Pediatria
  • Mayo Clinic