Dismenorreia: tratamentos e causas

Visão Geral

O que é Dismenorreia?

Sinônimos: cólicas menstruais, menstruação dolorosa

Dismenorreia é o quadro clínico que envolve uma série de queixas dolorosas, entre as quais, as dores em cólica no baixo ventre, além de outros desconfortos extragenitais no organismo da mulher.

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Surge na véspera da menstruação e desaparece no final do fluxo menstrual. Embora alguns mal-estares sejam relativamente comuns nesta fase, rotulamos de dismenorreia quando a intensidade dos sintomas físicos e psíquicos comprometem o cotidiano e até mesmo a qualidade de vida da mulher.

Causas

A dismenorreia primária está associada à liberação de substâncias chamadas prostaglandinas, que são produzidas no útero. Sua elevação acima de níveis fisiológicos promove fortes contrações no músculo uterino e redução da circulação (vasoconstricção) dos seus vasos sanguíneos e diminuição da oxigenação no local, com consequente surgimento da dor menstrual.

A produção de prostaglandinas está relacionada ao equilíbrio da produção de estrogênios e progesterona e é sabido que a dismenorreia primária ocorre nos ciclos ovulatórios. Os estrogênios estimulam sua produção e a progesterona produzida em níveis fisiológicos quando a mulher ovula, não é capaz de impedir seus efeitos contráteis sobre o útero.

A dismenorreia secundária aparece vários anos depois da menarca e está associada a algumas doenças locais já existentes, entre as quais a endometriose, a adenomiose, mioma uterino, doença inflamatória pélvica (DIP), reação inflamatória ao uso de DIU, malformações uterinas, estenose cervical e outros.

Entre as causas menos comuns de dismenorreia estão a presença de cistos nos ovário e varizes pélvicas, que causam dores no baixo ventre, podendo simular um quadro de dismenorreia secundária.

Fatores de risco

Na dismenorreia primária constatam-se fatores de risco associados como menarca precoce, fluxos menstruais abundantes ou prolongados. O fator psicológico é considerado elemento muito importante na maior parte das pesquisas.

Na dismenorréia secundária a referência a antecedentes de doença inflamatória pélvica ou cirurgia pélvica pregressa, uso de DIU, sangramentos uterinos anormais, dor nas relações sexual são fatores de risco muito sugestivos.

Sintomas

Sintomas de Dismenorreia

Os sintomas variam de acordo com algumas características, por isso o quadro é dividido em dismenorreia primária e dismenorreia secundária.

Na dismenorreia primária, a menstruação dolorosa surge mais precocemente, sem que seja reconhecida qualquer doença de ordem ginecológica associada. As secundárias ocorrem mais tardiamente e estão associadas a algumas doenças ginecológicas.

Predomina a menstruação dolorosa - dor em cólica no baixo ventre - muito frequente nas adolescentes desde um a dois anos após a primeira menstruação (menarca), quando a jovem começa a ovular com mais regularidade e persiste até os 25 anos, quando a severidade dos sintomas regride e até mesmo desaparece.

Os outros sintomas gerais, menos comuns, chamados de extragenitais, acometem pelo menos 50% dos casos e são representados por náusea/vômitos (90%), desânimo e fadiga (85%), nervosismo (65%) e dor de cabeça (50%).

Em menor frequência e intensidade também é possível mencionar a diarreia, a sudorese excessiva, a insônia e a "sensação de desmaio" (lipotímia).

Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

A existência dos fatores acima mencionados, referidos pela paciente na consulta médica, já sugere a origem do quadro doloroso de dismenorreia e a justificativa para buscar ajuda médica.

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Diagnóstico de Dismenorreia

O diagnóstico da dismenorreia é feito baseado na história clínica, procurando identificar o momento em que a dor surgiu (dismenorrria primária ou secundária). Também é avaliada a regularidade do padrão menstrual (ciclos ovulatórios), exame ginecológico completo, exames de laboratório (sangue, urina e secreção vaginal) e exames de imagem (ressonância e ultrassonografia).

O exame clínico ginecológico meticuloso, sobretudo o toque vaginal (e às vezes o toque retal) complementa a suspeita do fator causal e revela, ou afasta, a presença de determinadas patologias. Exames complementares laboratoriais e de imagem são exigidos para que se possa formalizar melhor um diagnóstico de certeza que norteie a forma adequada de tratamento para dismenorreia.

Nos casos crônicos, impõe-se a realização da videolaparoscopia ou videohisteroscopia.

Quando se administra progestógenos (progesteronas sintéticas) conseguimos bloquear a produção de prostaglandinas, razão pela qual medicamentos a base destas substâncias sintéticas, como os anticoncepcionais orais, tem excelente efeito terapêutico sobre as cólicas menstruais, sobretudo na dismenorreia primária.

O uso de medicamentos anti-prostaglandinas propicia alívio da dor em torno de 80% das pacientes portadoras de dismenorreia primária.

O tratamento da dismenorreia secundária fica na dependência da causa que a origina.

Tratamento e Cuidados

Cuidados

Durante a crise de dismenorreia o tratamento deverá ser apenas sintomático, em busca do alívio da dor. Isto pode ser repetido em outros ciclos, no caso de ainda não se ter um diagnóstico de certeza.

No dia da consulta é recomendável não fazer uso de medicamentos analgésicos ou anti-inflamatórios para não camuflar os sintomas no momento do exame ginecológico.

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Medicamentos para Dismenorreia

A dismenorreia pode ter diversas causas, de modo que o tratamento varia de acordo com o diagnóstico estabelecido pelo médico. Por isso, somente um especialista capacitado pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Os medicamentos mais comuns no tratamento de dismenorreia são:

Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Fontes e referências

  • Cláudio Basbaum, ginecologista, introdutor do Parto Leboyer e da técnica "Shantala" no Brasil e membro do Corpo Clinico do Hospital e Maternidade São Luiz em São Paulo (CRM-SP 11.665)