Displasia do colo do útero: sintomas, tratamentos e causas

REVISADO POR
Dra. Bárbara Murayama
Ginecologia e Obstetrícia - CRM 112527/SP
especialista minha vida

Visão Geral

O que é Displasia do colo do útero?

Sinônimos: neoplasia intraepitelial cervical (nic), alterações pré-cancerosas da cérvix

Displasia do colo do útero é a alteração fora do normal que afeta as células da superfície da cérvix, parte mais baixa do útero que se abre na parte de cima da vagina. Essas alterações não são câncer, mas caso não sejam tratadas podem evoluir para isso.

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Causas

Papilomavírus humano (HPV) é o principal agente causador da displasia do colo do útero e câncer. A associação entre o HPV e neoplasia cervical é tão forte que a maioria das outras co-variáveis comportamentais, sexuais e socioeconômicas foram encontrados como sendo dependente de infecção pelo HPV.

Infecção por HPV é necessário para o desenvolvimento de neoplasia cervical, mas uma vez que a grande maioria das mulheres infectadas com HPV não desenvolvem lesões cervicais de alto grau ou câncer, o HPV sozinho não é suficiente para fazer com que estes distúrbios aconteçam.

Os dois principais fatores associados com o desenvolvimento de lesões de alto grau e câncer do colo do útero são o subtipo de HPV e a persistência do vírus. Fatores ambientais (por exemplo, tabagismo) e influências imunológicas (da defesa do organismo) também parecem desempenhar um papel.

Existem mais de 100 tipos de HPV; cerca de 40 tipos são específicos para região anogenital e têm diferentes potenciais para causar a mudança maligna. A distribuição dos subtipos de HPV na população varia um pouco por região geográfica. Infecção sequencial com diferentes subtipos de HPV e infecção simultânea com mais de um subtipo HPV é comum.

O tipo de HPV determina as manifestações clínicas da infecção e do potencial de causar câncer.

  • Tipos de baixo risco, como o HPV 6 e 11, são responsáveis por 10% das lesões de baixo grau e 90% das verrugas genitais
  • Tipos de HPV de alto risco, tais como 16 e 18, estão fortemente associados com lesões de alto grau (NIC 2,3), persistência e progressão para o câncer invasivo. Embora eles também possam estar associadas a lesões de baixo grau. HPV 16 e 18 são responsáveis por 25 por cento das lesões de baixo grau, de 50 a 60 por cento das lesões de alto grau, e 70 por cento dos cânceres do colo do útero.

Mais de 50 % das novas infecções por HPV são diagnostica em 6 a 18 meses do contato com o vírus, e 80 a 90 por cento terá se resolvido totalmente dentro de dois a cinco anos.

A razão pela qual o HPV persiste em algumas mulheres e não em outras é desconhecido. A infecção pelo HPV persistente é definida como uma que ainda está presente após 2 anos de acompanhamento e tratamento.

A chance de persistência está relacionada a vários fatores:

  • A idade avançada – 50% das infecções por HPV de alto risco persiste em mulheres com mais de 55 anos de idade, em comparação com uma taxa de 20% da persistência em mulheres com menos de 25 anos de idade
  • A duração da infecção Quanto mais tempo dura uma infecção, mais difícil de eliminá-la
  • Subtipo de HPV de alto poder oncogênico - mais propensos a persistir.

Após a infecção viral ou a administração da vacina contra o HPV, uma resposta imune da paciente se desenvolve. A resposta imunológica de defesa do organismo ao papilomavírus ainda não é completamente compreendida; No entanto, uma resposta de anticorpos adequada normalmente impede a reinfecção com o mesmo tipo viral.

A transmissão sexual - HPV é transmitido através do contato sexual. O câncer cervical e seus precursores são quase inexistentes em mulheres que não tiveram nenhum relacionamento sexual.

O risco está correlacionado com o número de parceiros sexuais, mas é relativamente alta (4 a 20 por cento), mesmo naquelas com apenas um parceiro. Pelo menos 75 a 80 por cento das mulheres sexualmente ativas terão adquirido uma infecção genital por HPV aos 50 anos de idade.

Infecção pelo HPV do trato genital feminino é assintomática e só é clinicamente aparente se as verrugas genitais ou lesões neoplásicas aparecerem.

Tipos

Historicamente, mudanças nas células chamadas escamosas pré-malignas do colo do útero foram descritas como displasia cervical (ou do colo do útero) leve, moderada ou grave. Em 1988, um novo sistema de terminologia foi introduzida, o sistema de Bethesda, que foi revisto em 1991 e 2001.

Em 2012, um projeto do Colégio Americano de Patologia e da Sociedade Americana de Colposcopia e Patologia Cervical publicou mudanças na terminologia usada para descrever as lesões escamosas associadas ao HPV do trato anogenital. No sistema atual as lesões são chamadas de baixo ou alto grau.

A neoplasia intra-epitelial cervical (lesões de baixo ou alto grau) é uma condição pré-maligna do colo uterino. A ectocérvice (superfície do colo do útero que é visualizada no exame espéculo vaginal) está coberto de tecido do tipo escamoso, e o canal cervical, é coberto com epitélio glandular.

Portanto, a displasia do colo do útero pode ser de baixo grau ou alto grau. Mulheres com baixo grau, anteriormente chamado de NIC 1, tem potencial mínimo para o desenvolvimento de malignidade cervical, enquanto que aquelas com lesões de alto grau, antes conhecidas como NIC2 e NIC3, estão em alto risco de progressão para malignidade.

Lesões de alto grau são tipicamente diagnosticados em mulheres de 25 a 35 anos de idade, enquanto o câncer invasivo é mais comumente diagnosticado após a idade de 40, tipicamente 8 a 13 anos após o diagnóstico de uma lesão de alto grau.

Fatores de risco

  • Mulheres portadoras do vírus HIV tem risco maior de desenvolveres a doença
  • Mulheres com condições crônicas que requerem terapia imunossupressora de longo prazo estão em maior risco de desenvolver Esta associação tem sido descrita em pacientes transplantados e mulheres com lúpus eritematoso sistêmico, por exemplo. Já que as medicações necessárias para os respectivos tratamentos, são medicações que abaixam a resistência do organismo
  • O tabagismo - o fumo facilita o trabalho do vírus HPV
  • Herpes e clamídia ou outras infecções sexualmente transmissíveis pode ser um facilitador de exposição ao HPV
  • Contraceptivos orais - uso a longo prazo de contraceptivos orais tem sido apontada como um co-fator que aumenta o risco de carcinoma cervical em mulheres que são infectadas pelo HPV.

Sintomas

Sintomas de Displasia do colo do útero

A maioria das vezes essas infecções não apresentam sintomas. Quando há sintomas são as verrugas ou feridas no colo do útero detectadas durante o exame ginecológico e confirmadas com exame de colposcopia e biópsia, exame em que é avaliado o colo uterino com um tipo de microscópio.

Não causa dor, corrimento, coceira ou odor fétido, portanto a melhor maneira de descobrir é mantendo consultas de rotina.

A mulher deve ir ao ginecologista pelo menos uma vez ao ano, se houve relações sexuais sem preservativo, a visita deve ser antecipada para investigar doenças sexualmente transmissíveis e entre elas o HPV.

Diagnóstico e Exames

Diagnóstico de Displasia do colo do útero

Pesquisa do câncer cervical inclui citologia cervical – Papanicolau- e teste para os subtipos de papilomavírus humano (HPV). Acompanhamento de anormalidades em testes de triagem com biópsia e colposcopia do colo do útero pode resultar ser necessário.

O acompanhamento se faz com Papanicolau e colposocopia e vulvoscopia, com biópsias sempre que necessário e também acompanhados de exames que detectam o vírus como a captura híbrida.

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Displasia do colo do útero

Quando detectadas lesões causadas pelo HPV é preciso definir se é de alto ou baixo grau. A depender disso e também da extensão da lesão e da localização, o tratamento será definido. O tratamento, em geral, envolve procedimento para destruição da lesão. Podem ser utilizadas cauterizações por diversas técnicas, sendo a melhor o laser. Em casos de lesões de alto grau do colo do útero pode ser necessária cirurgia para retirada de parte do colo do útero.

Faz parte do tratamento acompanhamento com exames, conforme citados acima e também orientações sobre mudanças de hábito de vida para aumentar a resistência do organismo, como parar de fumar, praticar exercícios físicos regularmente, boa alimentação, boas noites de sono.

Além de investigar outras doenças sexualmente transmissíveis, pesquisar hpv no parceiro e tratar quando houver lesões nele. Também recomendar a vacina para ambos.

Convivendo (prognóstico)

Complicações possíveis

As lesões causadas pelo HPV de baixo ou alto grau, são lesões pré-câncer. Então, se não acompanhadas e tratadas podem evoluir para câncer de colo uterino.

Expectativas

Após 2 anos do diagnóstico e acompanhamento, se os exames se mostrarem-se negativos é considerada curada. Mas é preciso manter a prevenção, com preservativo e vacina, pois é possível se contaminar novamente.

Prevenção

Prevenção

A abordagem primária para a prevenção da infecção pelo HPV é a vacinação. Embora o HPV seja uma doença sexualmente transmissível, os preservativos são apenas parcialmente protetores, mas devem ser usados sempre. Também manter a rotina ginecológica em dia, com visitas regulares ao ginecologista e exame de Papanicolau.

Fontes e referências

  • Revisado por: Dra. Barbara Alencar Rolim Murayama, ginecologista e especialista Minha Vida - CRM: 112527