Edema macular diabético: sintomas, tratamentos e causas

Visão Geral

O que é Edema macular diabético?

O edema macular diabético é a maior causa de cegueira entre pessoas com idade economicamente ativa. Ele ocorre como resultado do excesso prolongado de açúcar no sangue. Isso faz com que os vasos sanguíneos dos olhos absorvam mais líquido, levando ao inchaço da retina e prejudicando sua função.

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Quando os vasos sanguíneos dos olhos acumulam líquidos, eles ficam inchados e afrouxam as junções entre as células das paredes dos vasos sanguíneos. Na medida em que as junções se afrouxam, os líquidos dentro dos vasos sanguíneos vazam para os tecidos em volta da retina e próximos à mácula, formando o edema macular diabético.

As pessoas que têm diabetes apresentam um risco de perder a visão 25 vezes maior do que as que não são portadores da doença. Estima-se que dos atuais 12 milhões de diabéticos brasileiros, 10% terão problemas de visão e pelo menos 2% ficarão cegos após 15 anos com diabetes.

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Causas

No edema macular diabético, os vasos sanguíneos são expostos a um excesso prolongado de açúcar no sangue em decorrência do diabetes, e isso pode acontecer inclusive nos olhos. Mesmo sem alterações na visão, os vasos do olho acumulam fluído e incham, podendo surgir novos vasos mais frágeis.

Esses vasos mais enfraquecidos podem romper ou extravasar sangue, causando hemorragia e infiltração de gordura na retina. Quando as hemorragias e as gorduras afetam a mácula, ocorre o edema macular diabético. A mácula é uma estrutura situada na região central da retina, e tem como função receber e traduzir a imagem para o cérebro.

No diabetes, pode acontecer de um material anormal ser depositado nas paredes dos vasos sanguíneos da retina, causando estreitamento e às vezes bloqueio do vaso sanguíneo, além de enfraquecimento da sua parede – o que ocasiona deformidades conhecidas como micro-aneurismas. Esse processo é chamado de retinopatia diabética. Quando esses vasos se rompem e afetam a mácula, ocorre o edema macular diabético.

Fatores de risco

O diabetes mal controlado é o principal fator de risco para o edema macular diabético. Apesar de ela ser comum em pessoas mais velhas, que convivem com a doença há mais tempo, o edema macular diabético pode afetar qualquer idade.

Sintomas

Sintomas de Edema macular diabético

No início, o edema macular é assintomático e o paciente pode não sentir dificuldade de visão. Com o tempo, pode ocorrer distorção ou borramento da visão. Outros sinais do edema macular diabético são:

  • Distorção de imagens
  • Sensibilidade alterada ao contraste
  • Fotofobia
  • Mudança na visualização de cores
  • Alterações no campo de visão, também chamados de escotomas.

Se não diagnosticado em tempo, o edema se desenvolve e a perda dos fluidos da mácula, responsáveis por levar a imagem ao cérebro, podem ser irreversíveis, ocasionando a cegueira.

Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

Se você tem diabetes e está percebendo que sua visão está ficando borrada, especialmente na parte central, procure um médico.

É importante, no entanto, que pacientes com diabetes façam consultas regulares a um oftalmologista especializado em retina independente de estarem com algum problema na visão, para prevenir ou diagnosticar o problema precocemente.

Na consulta médica

O oftalmologista especialista em retina é o médico que está habilitado a diagnosticar o edema macular diabético. Aqui estão algumas informações para ajudar você a se preparar para sua consulta e para saber o que esperar do seu médico.

  • Anote quaisquer sintomas que você está enfrentando, inclusive os que podem parecer sem relação com o motivo pelo qual você agendou a consulta
  • Anote informações pessoais importantes, incluindo quaisquer mudanças de vida recentes
  • Faça uma lista de todos os medicamentos, vitaminas ou suplementos que você está tomando
  • Leve um membro da família ou amigo junto, se possível. Às vezes pode ser difícil absorver toda a informação que você recebe durante uma consulta.

O médico provavelmente irá fazer uma série de perguntas, tais como:

  • Quando você começou a sentir os sintomas?
  • Esses sintomas são contínuos ou ocasionais?
  • Quão grave são os seus sintomas?
  • O que, ou algo, parece melhorar os seus sintomas?
  • O que, ou algo, parece piorar os seus sintomas?
  • Você tem diabetes? Há quanto tempo?

Você também pode querer fazer perguntas ao médico. Faça uma lista começando pela mais importante. Assim você garante que terá as informações mais relevantes, caso a consulta acabe antes. Para esclerose múltipla, as principais questões são:

  • Qual é a causa mais provável dos meus sintomas?
  • Existem outras causas possíveis para os meus sintomas?
  • Que tipos de testes que eu preciso? Será que estes testes requerem qualquer preparação especial?
  • Minha condição provavelmente é temporária ou crônica?
  • Quais são os tratamentos disponíveis?
  • Quais são os efeitos colaterais de cada tratamento?
  • Qual o tratamento você acha que seria melhor para mim?
  • Quais são as alternativas para a abordagem primária que você está sugerindo?
  • Tenho outras condições de saúde. Como posso gerenciar?
  • Existem restrições que eu preciso seguir?
  • Há algum material impresso que eu posso levar para casa comigo? Quais sites você recomenda visitar?

Diagnóstico de Edema macular diabético

Um oftalmologista especializado em retina é o médico mais habilitado a diagnosticar o edema macular diabético. Muitas pessoas diagnosticam o edema macular diabético quando já houve prejuízo à visão – por isso é necessário acompanhamento mesmo para quem não apresenta sintomas.

Existem dois exames para diagnóstico de edema macular diabético:

  • OCT (tomografia de coerência óptica)
  • Angiografia.

Caso você já apresente sintomas, o edema macular diabético pode ser diagnosticado em exames de rotina de acuidade visual. Nesse caso, você passa a enxergar menos letras na tabela de avaliação. Com a evolução do quadro, a visão ficará cada vez mais borrada e você enxergará menos letras.

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Edema macular diabético

Quando diagnosticado precocemente, o edema pode ser revertido. Entre os tratamentos para edema macular diabético estão:

Inibidores de VEGF

O principal tratamento para a doença é o medicamento ranibizumabe, inibidor da proteína VEGF. Essa proteína é a responsável pelo inchaço dos vasos sanguíneos na presença de glicose em excesso. O ranibizumabe é um medicamento injetado diretamente no olho.

Além de impedir a progressão da doença, esta opção também pode recuperar parcial ou totalmente a visão do paciente, dependendo do seu nível de evolução e o controle do diabetes. Uma média de 53% dos olhos de pacientes tratados com ranibizumabe isoladamente alcançaram níveis de acuidade visual mínimos ou acima do permitido para dirigir nos Estados Unidos e Inglaterra. Esse número foi de 45% com o uso do medicamento em associação ao laser, outro tratamento.

Terapia a laser

Considerado padrão até o momento, a terapia a laser consiste na cauterização (queima) dos vasos sanguíneos dos olhos, para estancar o vazamento e reduzir o inchaço. Esse método reduz o risco de progressão da doença, mas não recupera a visão perdida. Em alguns casos, o tratamento a laser é usado em conjunto com o ranibizumabe, mas tudo vai depender da indicação médica e estado de saúde do paciente.

Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

Para quem já foi diagnosticado com edema macular diabético, o mais importante é manter o diabetes controlado. Dieta equilibrada, prática de atividade física e uso de medicamento quando necessário são os pilares para manejar o problema com sucesso. Além disso, as visitas regulares ao endocrinologista e oftalmologista não podem ser deixadas de lado.

Complicações possíveis

Se não for tratado, o edema macular diabético pode levar à cegueira.

Prevenção

Prevenção

Se você já tem diabetes, siga esses cuidados para evitar complicações, como o edema macular diabético:

Invista no cardápio certo

Os pacientes diabéticos devem evitar os açúcares simples (presentes nos doces e carboidratos simples, como massas e pães), pois são absorvidos muito rapidamente, levando a picos de glicemia e, consequentemente, complicações a médio e longo prazo. Uma boa dica é beber bastante água, que ajuda a remover o excesso de glicose no sangue, que será eliminado pela urina.

Quando um alimento tem o índice glicêmico baixo, ele retarda a absorção da glicose. Mas, quando o índice é alto, esta absorção é rápida e acelera o aumento das taxas de glicose no sangue. Os carboidratos não são proibidos, mas existem recomendações dietéticas. Uma ingestão diária de 50 a 60% de carboidratos usualmente é suficiente, preferindo-se os carboidratos complexos (castanhas, nozes, grãos integrais) que serão absorvidos mais lentamente, evitando picos de glicemia.

Os diabéticos também podem sofrer de baixas de glicose no sangue, a hipoglicemia. Quinze minutos após ingerir algum alimento açucarado, cheque se a quantidade de glicose no seu sangue está normal.

Pratique exercícios físicos

A atividade física é essencial no tratamento do diabetes para manter os níveis de açúcar no sangue controlados e afastar os riscos de ganho de peso. A prática de exercícios deve ser realizada de três a cinco vezes na semana. Há restrição nos casos de hipoglicemia, de modo que pacientes não devem iniciar atividade física com a glicemia muito baixa, sob o risco de baixar ainda mais os níveis. Da mesma forma, deve-se evitar atividade física quando o diabetes está descontrolado, com glicemia muito elevadas. Nestes casos, a liberação de hormônios contrarreguladores pode aumentar mais ainda a glicemia. Os pacientes devem privilegiar atividades físicas leves, pois quando o gasto calórico é maior do que a reposição de nutrientes após o treino pode haver a hipoglicemia.

É importante saber como está o controle glicêmico antes do início da atividade física para então escolher o melhor alimento. Se a glicemia está muito baixa, é aconselhável dar preferência aos carboidratos e evitá-los se estiver alta. A escolha do alimento depende também do tipo de exercício: exercícios aeróbicos de grande duração (como corrida e natação) tendem a baixar a glicemia, sendo necessária uma ingestão maior de alimentos. Em todos os casos, os pacientes devem sempre combinar com seus médicos quais são as melhores opções, pois o tratamento do diabetes tem muitas peculiaridades individuais.

Não se esqueça das aplicações de insulina

Se você precisa tomar injeções de insulina, certifique-se de que está fazendo nos horários corretos e em quantidades adequadas. Existem vários tipos de insulina e diversas formas de administrá-la – encontrar aquela que mais combina com o seu perfil é essencial. Caso tenha dúvidas, converse com o médico.

Maneire no consumo de bebidas alcoólicas

O consumo de álcool não é proibido, mas deve ser moderado e nunca de barriga vazia, pois o consumo isolado pode causar hipoglicemia, pois o álcool tende a reduzir as taxas glicêmicas. O que pode causar enjoo, tremores pelo corpo, fome excessiva, irritação e dores de cabeça.

Também é importante fazer o monitoramento de glicemia antes e depois de consumir bebidas alcoólicas. Apenas as bebidas destiladas são permitidas (e com muita moderação), pois, segundo ele, não são feitas à base de carboidratos, como a cerveja, e o álcool tem baixo índice glicêmico. Cuidado com cervejas e bebidas doces ou à base de carboidratos. Elas têm alto índice glicêmico e podem trazer problemas.

Controle o estresse

Pessoas com diabetes têm maiores chances de ter ansiedade e depressão. Os pacientes podem sentir uma sensação de ansiedade em relação ao controle da hipoglicemia, da aplicação de insulina, ou com o ganho de peso. Os pacientes com diabetes que ficam ansiosos e estressados tendem a ter menos cuidado com os níveis de açúcar no sangue, o que aumenta o risco de complicações.

Tire o sal da mesa

Quem é diagnosticado com diabetes tem mais chances de sofrer de hipertensão, pressão arterial elevada. Ela nada mais é do que consequência da obesidade - no caso do diabetes tipo 2 - e da alta concentração de glicose no sangue, que prejudica a circulação. Se não tratada, ela pode levar a doenças coronarianas, derrames, doenças vasculares periféricas e insuficiência cardíaca.

Por esse motivo, recomenda-se que o diabético não acrescente sal à comida. O sódio aumenta a retenção de líquido no corpo, fazendo com que o coração tenha que trabalhar mais para bombear o sangue, ocasionando o aumento de pressão nas artérias.

Fique de olho, também, no sódio que já vem presente nos alimentos. Alguns produtos apresentam quantidades muito elevadas, como comidas congeladas prontas, macarrão instantâneo, fast food, embutidos, entre outros.

Corte o cigarro

Diabéticos que fumam multiplicam as chances de complicações. As substâncias presentes no cigarro ajudam a criar acúmulos de gordura nas artérias, bloqueando a circulação. Consequentemente, o fluxo sanguíneo fica mais e mais lento, até o momento em que a artéria entope. Além disso, fumar também contribui para o aumento da pressão arterial.

Fontes e referências

  • André Vieira, oftalmologista presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo
  • Sociedade Brasileira de Oftalmologia
  • Sociedade Brasileira de Endocrinologia
  • Diretrizes Brasileiras de Diabetes (SBD) de 2012 e 2013.