Histerossalpingografia: exame verifica as condições do útero e das tubas

O exame de raio-x com contraste tem fama de desconfortável, mas tudo depende do material usado pelo laboratório

O que é a histerossalpingografia

A histerossalpingografia é um exame de radiografia usando-se contraste, para verificar as condições anatômicas dos órgãos reprodutores femininos: útero e tubas. Ele é feito no Brasil desde a década de 1960.

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Quando a histerossalpingografia é necessária

A histerossalpingografia é um exame normalmente realizado para verificar se há alguma anomalia no útero ou nas trompas de pacientes que apresentam dificuldade para engravidar, mas também pode ser feito para investigação de outros problemas ginecológicos ligados à anatomia do útero e das trompas. Se a anatomia estiver muito alterada, poderá haverá haver problemas para conseguir ter um bebê.

Como é feita a histerossalpingografia

A histerossalpingografia é feita em um aparelho de raio-X associado ao uso de contraste. O contraste, normalmente composto por iodo, é pelo colo do útero por meio de um cateter, com a paciente em posição ginecológica, ou seja, deitada e com os joelhos dobrados. Há um balão na ponta deste cateter que é inflado dentro do útero para fixação da sonda, então o contraste é injetado. O raio-X não atravessa o contraste, e assim é possível ver a anatomia do útero e das tubas uterinas durante o exame. É comum que ao longo do exame, o médico peça para a paciente modificar sua posição, o que ajuda a distribuir melhor o contraste, fornecendo mais informações.


Muitos dizem que a histerossalpingografia é desconfortável, mas tudo depende das condições e do material utilizado para a realização do exame. Existem sondas metálicas, com maior calibre, que tornam o procedimento mais desconfortável. Mas em locais que usam sondas feitas de material flexível e pequeno calibre, trazidas ao Brasil em 1994, o exame acaba sendo mais confortável.

Durante a introdução do contraste, é comum a paciente sentir uma cólica leve, como uma cólica menstrual, que desaparece logo após o término do exame. O procedimento tem duração de 30 minutos, porém o desconforto dura entre seis e sete minutos. Raramente o exame precisa ser repetido, a não ser em situações específicas, como por exemplo, quando a paciente é submetida a um procedimento cirúrgico que modifica a anatomia do útero.

Pré-requisitos para fazer o exame

A histerossalpingografia precisa ser feita em uma período específico do ciclo menstrual: entre os dias seis e doze do ciclo - ficando entre o final da menstruação e pouco antes da ovulação. Antes de o exame ser realizado, pode ser necessária a limpeza do intestino, usando laxantes no dia anterior, para que os gases e fezes na região pélvica não atrapalhem na visualização do resultado.

Normalmente medicamentos anti-inflamatórios ou antiespasmódicos são utilizados alguns minutos antes do exame, para evitar espasmos e desconfortos. Por isso, o melhor é não fazer uso de outros medicamentos, a não ser que o médico tenha recomendado. É necessário que a paciente também esvazie a bexiga antes de começar o exame.

Recomendações pós-exame

Depois do exame recomenda-se evitar relações sexuais por alguns dias, mas não há cuidados muitos complexos no geral.

Ao retirar a sonda após a histerossalpingografia, 70% do contraste escoa em direção à vagina. Apenas 2 ou 3 ml são absorvidos pelo organismo e eliminados pelo rim, sem qualquer alteração na cor ou aspecto da urina.

Contraindicações

Pessoas tiveram reação alérgica importante e comprovada em outros exames com contrastes iodados injetados na veia devem informar o médico que vai realizar o procedimento para que algumas precauções sejam tomadas e, se necessário, a paciente poderá ser orientada a realizar o exame em ambiente hospitalar.

Grávida pode fazer?

Não, exame é inviável durante a gravidez, já que um líquido é injetado dentro útero. Além disso, na maioria das vezes esse exame é feito por pacientes que estão com dificuldades de engravidar.

Riscos da histerossalpingografia

A infecção pélvica é a complicação mais comum da histerossalpingografia, porém quando todos os cuidados de assepsia são tomados, sua ocorrência é muito rara.

O que significa o resultado do exame?

A histerossalpingografia é um exame de imagem e através dele o médico avaliará como estão as condições e o formato do útero e das tubas da paciente, além de perceber se há algo obstruindo o caminho das trompas.

Resultados normais

Exame de histerossalpingografia normal - Foto cedida pelo dr Mario Barretto D'Avilla
Histerossalpingografia normal

O médico ginecologista é a melhor pessoa para analisar o exame de histerossalpingografia, que por ser de imagens, pode ter várias interpretações. Mas um resultado normal seria o útero forme um desenho quase triangular, com três pontas bem pelo contraste definidas e que as bordas não estejam embaçadas ou indefinidas. Já as trompas devem ser bem finas, formando leves ondulações que não fiquem totalmente próximas ao útero e com um contraste menos definido, parecendo que está se espalhando.

O que significam resultados anormais?

Histerossalpingografia com tuba obstruída - Foto cedida pelo médico Mario Barretto D'Avilla
Histerossalpingografia com tuba obstruída

A histerossalpingografia detecta alguns tipos de doenças e anormalidades uterinas e tubárias que podem justificar alterações da saúde da mulher e também sua fertilidade.

Entre os problemas uterinos temos fatores como pólipo endometrial, mioma, sinéquia, adenomiose e anomalias congênitas, como um septo na vagina. Já os problemas tubários podem ser decorrentes de processo aderencial pélvico causado pela endometriose ou por doença inflamatória pélvica, hidrossalpinge (acúmulo de água na tuba) e obstrução tubária, entre outros.

Onde encontrar

Esse exame normalmente é coberto pelos planos de saúde (para isso, consulte sua operadora) e também está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

Fontes
Ginecologista especialista em reprodução humana Joji Ueno (CRM-SP 48.486), diretor na Clínica Gera, em São Paulo
Radiologista Mario Barretto D'Avilla (CRM-SP 31.166), responsável pela radiologia geral do Fleury Medicina e Saúde, com residência médica em Diagnóstico por Imagem na Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo (USP)

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