Gravidez: como funciona o acompanhamento de infecções congênitas com ultrassonografias

Frequência dos exames é maior e investigação mais precisa

O acompanhamento ultrassonográfico das infecções congênitas deve ser feito em todas as gestantes que apresentam alguma doença com potencial de transmissão para o feto - ou seja, infecções que podem ser transmitidas para o bebê durante a gravidez.

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Pacientes portadoras de vírus como da hepatite B, hepatite C e/ou do HIV devem fazer o acompanhamento. Outras infecções podem ocorrer durante a gestação, como toxoplasmose, a rubéola, ou pelo citomegalovirus, e nessa situação o risco de transmissão da mãe para o feto varia de acordo com a idade gestacional.

O exame ultrassonográfico é muito importante na suspeita dessas infecções para definir a idade gestacional na qual a infecção ocorreu, avaliar a formação do feto e acompanhamento da gestação.


É importante ressaltar que a ultrassonografia não é um método sensível para o diagnóstico de infecções fetais, uma vez que nem todo bebê infectado apresenta alterações morfológicas detectáveis ao ultrassom. Entretanto, os achados ultrassonográficos mais comuns são:

  • Placenta espessada
  • Hidrocefalia (aumento de líquido no cérebro)
  • Calcificações cerebrais
  • Hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e baço)
  • Hidropsia(edema ou inchaço no feto)

Indicações

Toda gestante realiza uma série de exames no inicio do pré-natal, e entre eles estão as sorologias para:

Outras doenças podem ocorrer durante a gestação, como dengue, varicela, malária, infecção pelo eritrovírus, febre amarela, herpes e outras.

Resultados positivos em qualquer uma dessas sorologias exigirão um acompanhamento ultrassonográfico mais rígido, a fim de buscar qualquer possível alteração fetal. Além disso, a gestante inicia o tratamento adequado para as infecções, e as ultrassonografias periódicas se fazem necessárias para garantir o sucesso do tratamento.

Contraindicações

O acompanhamento de infecções congênitas durante a gravidez só é recomendado para mulheres que apresentam alguma doença com potencial de transmissão para o feto. Caso contrário, a gestante fará os exames de ultrassonografia morfológica normais, de primeiro, segundo e terceiro trimestres.

Preparo para o exame

Não há nenhum cuidado especial para a realização do teste. Não é preciso estar com a bexiga cheia ou em jejum e nem há a necessidade de trocar de roupa.

Como é feito

Chegando ao laboratório, a paciente é orientada a se deitar com a barriga virada para cima e o dorso elevado (aproximadamente 45 graus). O médico então vai espalhar um gel transparente, à base de água, na barriga e pelve da gestante. Esse gel serve para facilitar a transmissão das ondas sonoras.

É utilizada uma sonda de mão sobre a barriga e pelve da paciente, que irá captar as ondas sonoras e criar as imagens na máquina de ultrassom. O dispositivo de ultrassom capta as ondas sonoras que são emitidas por todas as partes do útero, incluindo movimentos do bebê. Esses ecos são transformados em imagem e exibidos em um monitor, permitindo ao médico analisar todas as características do feto, além do útero, ovários e colo do útero.

Em alguns poucos casos, dependendo da posição do feto e do útero materno, pode ser necessária a complementação por via transvaginal. As imagens da ultrassonografia mostram o bebê se movimentando, além de ser possível ouvir seus batimentos cardíacos.

A ultrassonografia para acompanhamento das infecções congênitas também avalia o fluxo sanguíneo em determinados vasos maternos e/ou fetais, utilizando o Doppler colorido. Neste exame é analisado o fluxo no cordão umbilical e nas artérias uterinas maternas que nutrem a placenta.

Também é feita a ecocardiografia fetal, uma avaliação de possíveis alterações anatômicas e funcionais no coração do bebê.

Nos casos suspeitos de alteração por citomegalovírus pode ser feita ressonância magnética fetal no terceiro trimestre de gravidez, para completar a avaliação do sistema nervoso central.

Tempo de duração do exame

A ultrassonografia morfológica dura em média entre 30 e 60 minutos .Entretanto, a duração do exame dependerá de vários fatores,como a posição do bebê.

Recomendações pós-exame

Não há nenhuma recomendação especial após a ultrassonografia morfológica para acompanhamento de infecções congênitas. A gestante pode retomar suas atividades normalmente.

Periodicidade do exame

A orientação nos casos de infecções na gravidez é a ultrassonografia morfológica mensal. Nos casos de infecção com acometimento fetal, o controle deve ser quinzenal.

Bebês com restrição no crescimento necessitam de avaliação da vitalidade fetal com a ultrassonografia e cardiotocografia, de acordo com a gravidade do caso.

O seguimento é importante para avaliação do crescimento fetal e para o diagnóstico de novos achados, a fim de escolher o melhor tratamento. O acompanhamento ultrassonográfico também é útil para a avaliação do bem estar fetal e possível antecipação do momento do parto.

Riscos

Por se tratar de um exame não invasivo, a ultrassonografia morfológica não prejudica a mãe ou o bebê de nenhuma forma.

Resultados

Os resultados e orientações variam de acordo com cada infecção, cabendo ao médico e paciente discutirem caso a caso. Em algumas situações será indicada pesquisa de DNA (do agente) no líquido amniótico, para confirmar presença de infecção e dar início ao tratamento, ou coleta de sangue fetal para confirmar uma possível anemia e programar o tratamento do feto.

Referências

Joelma Andrade Queiroz, ginecologista e obstetra do Serviço de Medicina Fetal do Fleury Medicina e Saúde - CRM/SP 68765

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