Ultrassonografia morfológica fetal de segundo trimestre: como é o exame?

Exame avalia malformações e risco de prematuridade

REVISADO POR
Dr. Armindo Dias Teixeira
Ginecologia e Obstetrícia - CRM 45547/SP
especialista minha vida

A ultrassonografia morfológica fetal de segundo trimestre é aquela feita entre 20 e 24 semanas de idade gestacional (ou no do inicio da 21ª até o final da 24ª semana) de gravidez. É um exame de ultrassonografia que consiste em fazer uma avaliação das estruturas de cada segmento do feto (cabeça, pescoço, coluna vertebral, tórax, abdômen, genitália externa e extremidades) e do liquido amniótico, cordão umbilical e placenta, com auxílio do Doppler colorido.

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O Doppler colorido é um recurso utilizado para medir o fluxo sanguíneo em determinados vasos maternos e/ou fetais. Na ultrassonografia de segundo trimestre é feita a análise das artérias uterinas e da artéria umbilical.

Indicações

Toda gestante deve realizar o ultrassom morfológico de primeiro e de segundo trimestre. Isso é um direito que lhe é assegurado, independentemente da idade, de quantos filhos ela já teve, se todos são saudáveis ou não ou de qualquer outro fator pessoal ou familiar.


No segundo trimestre de gravidez, o ultrassom pode ser feito para:

  • Monitorar o crescimento do feto
  • Determinar o sexo do bebê
  • Olhar a placenta para verificar problemas, tais como placenta de inserção baixa e descolamento da placenta
  • Examinar o feto para malformações ou problemas de fluxo de sangue
  • Monitorar os níveis de líquido amniótico
  • Determinar se o feto está recebendo oxigênio suficiente
  • Diagnosticar problemas com os ovários ou útero, tais como tumores da gravidez
  • Medir o comprimento do colo do útero
  • Orientar outros exames, tais como a amniocentese
  • Confirmar uma possível morte intrauterina

Contraindicações

A realização do USG morfológico com Doppler não possui qualquer contraindicação. A ultrassonografia é um exame não invasivo que faz parte da rotina do pré-natal, não oferecendo qualquer risco para a paciente e para o bebê.

Nos casos de idade gestacional inferior a 18 semanas, existe uma diminuição da sensibilidade do exame.

Preparo para o exame

Não há nenhum cuidado especial para a realização do exame. Há uma proteção das vestimentas da paciente para não sujar com o gel de contato, e o ideal é que ela esteja alimentada, para apresentar maior movimentação fetal.

Como é feito

Chegando ao laboratório, a paciente é orientada a se deitar com a barriga virada para cima e o dorso elevado (aproximadamente 45 graus). O médico então vai espalhar um gel transparente, à base de água, na barriga e pelve da gestante. Esse gel serve para facilitar a transmissão das ondas sonoras.

É utilizada uma sonda de mão sobre a barriga e pelve da paciente, que irá emitir e captar ondas sonoras e criar as imagens na máquina de ultrassom. O dispositivo de ultrassom capta as ondas sonoras que são emitidas por todas as partes do útero, incluindo movimentos do bebê. Esses ecos são transformados em imagem e exibidos em um monitor, permitindo ao médico analisar todas as características do feto, além do útero, ovários e colo do útero.

As imagens da ultrassonografia mostram o bebê se movimentando, além de ser possível ouvir seus batimentos cardíacos.

No segundo trimestre também é feita a avaliação transvaginal do colo do útero. Essa é uma medida do comprimento do colo uterino através do exame de USG via transvaginal. Neste momento do exame, é inserida uma sonda dentro do canal vaginal da gestante, para que sejam avaliados parâmetros do colo que indiquem risco de prematuridade. Quanto menor o colo do útero maior o risco.

Tempo de duração do exame

O tempo de duração do exame é de 30 a 50 minutos, dependendo do grau de dificuldade do exame. A duração da ultrassonografia morfológica de segundo trimestre é sempre influenciada por vários fatores, como a posição fetal e o biótipo da paciente.

Recomendações pós-exame

Não há nenhuma recomendação especial após a ultrassonografia morfológica de segundo trimestre. A gestante pode retomar suas atividades normalmente.

Periodicidade do exame

A ultrassonografia de segundo trimestre é feita via de regra uma vez durante a gravidez. Toda mulher deve fazer esse exame, portanto, pelo menos uma vez a cada gestação.

Riscos

Por se tratar de um exame não invasivo, a ultrassonografia morfológica de segundo trimestre não prejudica a mãe ou o bebê de nenhuma forma.

Resultados

Após a realização do exame ultrassonográfico de segundo trimestre, as informações obtidas são interpretadas e é emitido um laudo por escrito, acompanhado de documentação fotográfica das imagens obtidas. No laudo são descritos todos os achados no USG, como:

  • Informações sobre as estruturas fetais analisadas
  • Biometria
  • Peso fetal
  • Valores do Doppler
  • Idade gestacional
  • Presença ou não de anomalias estruturais
  • Crescimento fetal

O resultado pode ser entregue após 48 horas da realização do exame. Contudo, em casos que a gestante precisa dos resultados com urgência, eles podem ficar disponíveis em cerca de 30 minutos. Esses períodos, o entanto, podem variar conforme o laboratório.

Resultados normais

As informações coletadas na ultrassonografia de segundo trimestre são interpretadas de acordo com valores de referência específicos da "Fetal Medicine Foundation" para gestações de feto único. Outras especificações serão avaliadas de acordo com dados clínicos da gestação, visto que as curvas de referência são padrões que não se adequam a todas as populações.

Em relação às estruturas analisadas, os resultados normais indicarão a ausência de malformações. O risco de prematuridade também é mostrado no USG de segundo trimestre, com base no comprimento do colo uterino - se ele está maior que 25 mm o risco de parto prematuro é baixo.

Resultados anormais

Um resultado alterado é a presença de malformação fetal (desvio da normalidade da anatomia do feto). A paciente e o seu médico ficam cientes do resultado e discutem qual a melhor conduta - se precisarão ser feitos exames mais específicos e qual o acompanhamento necessário.

Nos casos de alteração do comprimento do colo (colo curto), há um risco maior para prematuridade. Paciente e médico devem definir qual será o acompanhamento.

Referências

Lin Tao Jine, ginecologista e obstetra, médico assistente do Serviço de Medicina Fetal do Fleury Medicina e Saúde - CRM/SP 70465

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