Rinosseptoplastia: procedimento une a cirurgia de desvio de septo com a rinoplastia

Além de melhorar a capacidade respiratória, a cirurgia pode trazer resultados estéticos

ARTIGO DE ESPECIALISTA

Dra. Samanta Dall´Agnese
Otorrinolaringologia - CRM 137576/SP
especialista minha vida

O que é?

A rinosseptoplastia é a cirurgia que combina o tratamento de desvio do septo com a correção de defeitos estéticos do nariz. Quando existe a indicação dos dois procedimentos, o ideal é que sejam realizados numa mesma cirurgia. Os resultados do pós-operatório costumam ser muito melhores, tanto da parte estética quanto da parte respiratória.

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Quando é indicada?

A correção de desvio de septo é indicada quando o desvio prejudica a respiração de uma das narinas, ou dos dois lados no caso de desvios mais acentuados e sinuosos. É raro encontrar uma pessoa que tenha o septo totalmente reto, mas isso não significa que qualquer desvio mereça correção - o grau do desvio e a sua localização que determinam a indicação. Em geral, quanto mais anterior for o desvio de septo, próximo das narinas, mais obstrutivo ele é, pois esta área é mais estreita (dita área de "válvula nasal"). Estes desvios mais anteriores, principalmente quando localizados na ponta do nariz, podem também causar a "ponta nasal caída". Nestes casos, a correção, além de melhorar a parte funcional, deixa a ponta nasal mais projetada ou arrebitada, o que é um efeito esteticamente desejado, principalmente nas mulheres.

Toda mudança estética deve ser avaliada individualmente, de acordo com as expectativas da pessoa e da possibilidade do resultado desejado. As maiores queixas são relacionadas à ponta nasal, em geral caída e grande, o dorso ósseo, em geral elevado formando o que chamamos de giba ou calo ósseo, e o nariz largo. Lembrando que tudo deve ser discutido para que o resultado seja harmonioso.


Quando não é indicada?

A cirurgia não deve ser indicada quando o desvio de septo não é obstrutivo ou quando a causa da obstrução nasal é outra. A rinite é uma doença muito comum e que pode dar a sensação de nariz "entupido" por causa do aumento dos cornetos nasais, dita "carne esponjosa". Nestes casos, é fundamental fazer um tratamento adequado da rinite com medicamentos antes de se indicar cirurgia. Se for recomendada a cirurgia do septo, em geral se associa um procedimento para redução do volume dos cornetos, a turbinectomia.

Quanto à parte estética, ter expectativas reais da cirurgia é fundamental para o sucesso. Cada pessoa é diferente e o planejamento da cirurgia deve levar em conta as características do rosto e da pele da pessoa, caso contrário o resultado fica artificial. Não devemos comparar pessoas entre si, apenas o momento atual da pessoa com o que pode ser mudado. Se a pessoa apresentar uma distorção corporal, ou seja, uma visão irreal da sua aparência física, o procedimento não deve ser realizado até tudo estar esclarecido.

Além disso, existe uma preocupação com a parte funcional do nariz. Se houver risco de a correção estética prejudicar a respiração, a programação precisa ser revista com o paciente. Como exemplo temos técnicas de estreitamento do dorso nasal nos casos de nariz largo que podem produzir um nariz esteticamente bonito, porém com pouca passagem do ar.

Quem realiza a cirurgia?

Tanto o otorrinolaringologista quanto o cirurgião plástico estão habilitados a fazer a cirurgia de rinosseptoplastia. De forma geral, quando o paciente se queixa de dificuldade respiratória ou existe a preocupação de a cirurgia piorar a parte funcional do nariz, o otorrinolaringologista deve ser procurado.

O pré-operatório

No pré-operatório, o médico deve esclarecer todas as dúvidas do procedimento. São tiradas fotos para estudo das técnicas cirúrgicas e acompanhamento pós-operatório. Pode ser necessário exame de tomografia da face para avaliar as estruturas internas.

Como qualquer cirurgia, são solicitados exames gerais de sangue (incluindo testes de coagulação) e eletrocardiograma. A avaliação com um clínico geral ou cardiologista é importante, e conforme esta avaliação, podem ser necessários exames adicionais.

Como funciona a cirurgia?

A cirurgia pode ser feita de forma aberta ou fechada. Na via aberta, é feita uma incisão na pele e descolado o nariz. Esta via é preferida quando são necessárias correções mais complexas, porque o cirurgião tem melhor visualização das estruturas nasais. Em geral, o corte é muito discreto, quase imperceptível com a cicatrização.

Na forma fechada, a incisão é feita dentro do nariz, sem pontos externos. Esta incisão é preferida quando os problemas são mais fáceis de corrigir ou quando a pessoa tem histórico de problemas de cicatrização da pele.

Das duas formas, a cirurgia em geral começa com a correção do desvio de septo. A cartilagem desviada removida é usada como enxerto para remodelar a parte estética. Os passos realizados pelo médico variam conforme o que se pretende modificar. São feitas correções como retirada da giba óssea, estreitamento ou alargamento do dorso nasal (no caso de nariz estreito) e remodelamento da ponta nasal. A ponta nasal, por ter estruturas delicadas, requer mais cuidados da parte do cirurgião.

Anestesia

A anestesia pode ser local com sedação ou geral. Cada método apresenta vantagens e desvantagens. A anestesia local com sedação é menos invasiva, o paciente não sente dor, mas permanece acordado, podendo ouvir barulhos dos instrumentos e do médico realizando a cirurgia, o que pode ser muito incômodo para alguns pacientes. Na anestesia geral, o paciente fica desacordado e respira por aparelhos. É preferida quando o procedimento demanda várias horas, sendo mais confortável para o paciente. A escolha precisa ser avaliada individualmente.

Riscos da cirurgia

Os principais riscos da cirurgia são relacionados a anestesia, à parte estética e funcional e ao sangramentos nos primeiros dias após a cirurgia.

Riscos envolvendo a anestesia incluem, por exemplo, reações alérgicas aos medicamentos usados, que hoje em dia, com medicações mais modernas, são baixos. Também pode haver algum risco cardíaco, por isso é importante fazer exames pré-operatórios.

Quanto à parte estética, pode ocorrer a permanência do problema. Por isso o diálogo entre o médico o paciente sobre as reais expectativas da cirurgia é fundamental. Além disso, também pode ocorrer a piora da respiração se a correção estética não for bem calculada ou esclarecida.

O nariz é uma estrutura muito vascularizada. Sangramentos em pequena quantidade são muito comuns nos primeiros dias de pós-operatório, por isso é indicado repouso por uma a duas semanas. O uso de tampões nasais pode ser necessário se o risco de sangramento for maior. Neste caso, o cirurgião retira os tampões cerca de dois ou três dias após a cirurgia.

Pós-operatório

O pós-operatório da rinosseptoplastia costuma ter dor leve a moderada, que é resolvida com analgésicos. Uma queixa comum é a sensação de nariz entupido, devido ao inchaço das estruturas nasais internas pela manipulação durante a cirurgia. A dificuldade respiratória tende a melhorar na primeira até a segunda semana. É importante fazer uma boa limpeza nasal, várias vezes ao dia, para evitar acúmulo de secreções que possam infeccionar.

Existe também inchaço da parte externa e, dependendo do caso, a presença de hematomas. O inchaço da face demora mais tempo para regredir. Esperamos de seis meses até um ano para completa regressão do inchaço, mas com 1 a 2 meses já podemos visualizar o nariz bem delineado.

O cirurgião pode colocar um curativo externo como molde para garantir a estabilidade das estruturas nasais e evitar algum trauma, que poderia comprometer o resultado estético. Antigamente, colocava-se um gesso e, atualmente, usa-se uma fita adesiva porosa, que se molda ao nariz.

Quanto à posição para dormir, a pessoa deve dormir com a cabeça elevada na primeira semana e evitar dormir de lado, para não ter dor caso pressione o nariz contra o travesseiro. Como cuidado adicional, é recomendado evitar exposição ao sol e usar protetor solar mesmo em ambientes internos. Hematomas desaparecem em duas ou três semanas, sendo importante a proteção solar para não manchar a pele.

Referências

Escrito por: Samanta Dall´Agnese, otorrinolaringologista.

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