Adderall: substância é usada no tratamento de TDAH

Apesar de não vendido no Brasil, há relatos de uso ilegal com o fim de aumentar a concentração em pessoas saudáveis

POR JÉSSIE PANEGASSI

O que é?

Adderall, ou adderall XR, é um medicamento estimulante do sistema nervoso central, do tipo das anfetaminas. Ele é usado em diversos países, como nos Estados Unidos, para o tratamento de pacientes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e em alguns casos de narcolepsia - que é um distúrbio do sono em que a pessoa tem muita sonolência durante o dia e até episódios temporários de fraqueza muscular.

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Ele também é conhecido por seu uso ilegal, para pessoas que querem aumentar a concentração e ir bem em provas, por exemplo, e mais raramente como droga para emagrecer. Contudo, são diversos os efeitos adversos e problemas relacionados ao adderall, inclusive a dependência (vício) no medicamento.

Como o adderall age no organismo?

O Adderall contém uma mistura de sais de anfetamina e dextroanfetamina (estimulantes) e seu efeito consiste basicamente do aumento da atividade de neurotransmissores (moléculas que fazem a comunicação de um neurônio com outro), como noradrenalina, dopamina e serotonina. Isso deixa a pessoa mais desperta, agitada, com menos fome e aumenta a atividade de vários órgãos, como o coração.


Formas farmacêuticas disponíveis

Fora do Brasil, o adderall XR está disponível em cápsulas com 5mg, 10mg, 15mg, 20mg, 25mg ou 30mg das substâncias ativas, mas apenas é vendido sob controle especial para coibir o uso abusivo e prevenir a dependência (vício) no medicamento.

Indicações do adderall

As principais indicações do adderall, apesar de não ter seu uso aprovado no Brasil, são para o tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção (TDAH) - em que a pessoa tem, basicamente, muita dificuldade de concentração, impulsividade e inquietude - e em alguns casos de narcolepsia, que é um transtorno do sono caracterizado por episódios incontroláveis de sono durante o dia, por vezes até acompanhados de fraqueza muscular.

É importante ressaltar que mesmo no caso de TDAH, principal indicação do medicamento, ele só deve ser usado como parte de um programa completo de tratamento, que inclui aconselhamento e outras terapias sem medicamentos.

Por que o adderall é conhecido como a "pílula da boa nota"?

Como o adderall estimula o sistema nervoso central, ele deixa o estudante mais desperto, sem sono, concentrado e acaba aumentando a sua autoconfiança, o que facilita que ele passe longas horas estudando ou suporte provas extensas. É uma espécie de "doping" dos estudantes.

Contudo, pode acontecer de a pessoa focar a sua atenção em coisas que não necessariamente são a matéria e acabar não se preparando para a avaliação. Também há casos em que depois de passar a noite inteira estudando o aluno faz a prova com tanta autoconfiança que acaba escrevendo respostas sem conexão com as perguntas e tendo um desempenho bastante ruim.

Da mesma forma, alguns trabalhadores de setores extremamente competitivos que fazem uso da droga para este fim para passarem a noite acordados podem causar diversos prejuízos para a saúde (ver no tópico riscos do uso sem indicação médica) e riscos no trabalho.

Contraindicações do adderall

Além das contraindicações por uso indevido, como o caso de pessoas que procuram aumentar a sua concentração ou emagrecer, o adderall é contraindicado quando a pessoa tem alguma doença do sistema cardiovascular, como arritmia ou arteriosclerose, também no caso de hipertireoidismo, glaucoma, agitação motora, esquizofrenia ou com histórico de episódios psicótico e/ou abuso de drogas.

Reações adversas mais comuns do adderall

As reações adversas do adderall dependerão da pessoa que está usando o medicamento, da dose e do tempo de utilização.

Dentre os efeitos adversos graves associados ao uso deste medicamento estão:

  • retardo do crescimento (peso e altura corporal) em crianças
  • convulsões, principalmente em pacientes com histórico do problema
  • alterações de visão ou visão turva

Entre os efeitos adversos comuns estão:

Outras situações de saúde relacionadas ao uso do adderall são:

  • morte súbita em pacientes que tenham problemas cardíacos
  • acidente vascular cerebral (AVC)
  • infarto
  • aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca
  • vasculopatia periférica, incluindo fenômeno de Raynaud
  • sensação de dormência, frio e dor nos dedos das mãos ou dos pés, que podem ficar pálidos, azulados ou vermelhos

Sintomas psicóticos, como escutar vozes inexistentes, crer em coisas irreais ou uma desconfiança injustificada são mais comuns em crianças e adolescentes.

Riscos do uso contínuo do adderall com recomendação médica

Quando o uso do adderall é recomendado pelo médico, pode ser que o paciente precise fazer uso do medicamento por longos períodos. Nestes casos, o especialista responsável, normalmente o médico psiquiatra, deve fazer o monitoramento regular desta pessoa.

O psiquiatra deve verificar a ocorrência de alterações no sangue, no coração e na pressão arterial durante o tratamento. Se quem está utilizando o adderall é uma criança, ela também deve ser monitorada quanto ao seu peso e altura.

Caso seja identificado algum problema durante o tratamento, o médico pode suspender o uso desta medicação e indicar outras possibilidades terapêuticas.

Riscos do uso de adderall sem indicação médica

O maior risco do uso de adderal sem indicação médica é a dependência que ele pode causar, que demandaria um tratamento de reabilitação bastante similar aos utilizados por pessoas viciadas em diversas drogas. Isso porque sem a indicação médica, além da pessoa não ter a necessidade de usar o medicamento, o uso geralmente é feito em doses maiores do que o recomendado e por um período bastante prolongado.

Dentre os demais riscos, quando tomado por uma pessoa com uma contraindicação prévia, como a esquizofrenia, o adderall pode aumentar os sintomas da doença ou até facilitar o seu aparecimento (quando ela ainda não se manifestou). Também há riscos relacionados ao bom funcionamento dos órgãos vitais, como o coração, uma vez que o medicamento é estimulante e, portanto, acelera os batimentos cardíacos. Outros riscos são:

  • aumento da pressão arterial
  • intoxicação
  • irritabilidade
  • desencadeamento de crises de mania em pacientes bipolares
  • desencadeamento de surtos psicóticos

No caso dos jovens que conseguem o medicamento no mercado ilegal, os riscos não mudam mesmo no caso dos mais saudáveis, pelo contrário. Considerando que o cérebro de adolescentes está passando por várias modificações nessa fase de amadurecimento, o uso de anfetaminas durante esse período de idade pode levar a consequências potencialmente danosas por toda a vida - assim como o uso de diversas drogas, como a cocaína.

Como acontece a dependência (vício) em adderall?

As anfetaminas, presentes no adderall, estimulam a comunicação entre neurônios, incluindo aqueles que usam o neurotransmissor chamado dopamina. Muitos dos neurônios que liberam dopamina são ativados quando a pessoa consome algo que dá prazer, como alimentos doces, ou faz algo prazeroso, como sexo.

A anfetamina age como um meio artificial de ativar esses neurônios que comunicam sinais de prazer e por meio disso causa a sensação de bem-estar e euforia após seu consumo.

O problema é que com o uso repetido das anfetaminas, elas acabam modificando o funcionamento dos neurônios que controlam o prazer, conhecida como via neural de recompensa, e o indivíduo pode perder o controle do uso da droga e consumi-la compulsivamente por causa dessa alteração em seus neurônios. Dessa forma, a pessoa se torna dependente e coloca o uso da droga à frente de todas as prioridades de sua vida.

Outro problema é que não é possível prever com certeza quem se tornará ou não dependente, por isso o uso controlado e por pouco tempo é essencial para o paciente que realmente necessita do medicamento não se tornar dependente.

Referências

Fontes consultadas:

Marcelo T. Marin, coordenação do curso de Farmácia e Bioquímica da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (UNESP - Araraquara).

Tais M. Bauab, coordenação do curso de Farmácia e Bioquímica da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (UNESP - Araraquara).

Ivan Mario Braun, psiquiatra e especialista Minha Vida. CRM: 57449/SP.

Rogério Hoefler, farmacêutico do Centro Brasileiro de Informações sobre Medicamentos.

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