Imunoterapia no tratamento do câncer

Opção estimula o próprio sistema imunológico da pessoa a combater as células cancerígenas

POR JÉSSIE PANEGASSI

O que é?

Imunoterapia para o tratamento do câncer é, de uma forma bem simples, uma maneira de combater o problema utilizando o próprio sistema de defesa do corpo para atacar as células do câncer.

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Para entender como a imunoterapia funciona, é preciso saber um pouco de como o câncer age no organismo. As células do corpo nascem, se desenvolvem, multiplicam e morrem, sempre de forma ordenada e proporcional. Contudo, se elas passam a crescer de forma descontrolada e não morrem na mesma medida, temos a formação de um tumor.

Os tumores podem ser benignos ou malignos, graves ou não, dependendo do local que estão crescendo e da sua capacidade de se espalhar para outros órgãos (metástase). O comportamento do tumor determina se será necessário tratamento e qual, uma vez que cada tipo de câncer pode responder melhor ou pior a um tipo de tratamento.


Alguns tipos de câncer são capazes de driblar o sistema imunológico usando uma espécie de "camuflagem" para não ser notado, ou então "desligando" os mecanismos do corpo responsáveis por identificar que há algo errado com aquela célula. O tratamento dá ferramentas para o sistema imune enxergar essas células e combatê-las mais fortemente, por meio de medicamentos orais ou injetáveis. Portanto, o tratamento do câncer com imunoterapia pode ser feito basicamente de duas formas:

  • Estimulando o próprio sistema imune do paciente a trabalhar mais fortemente contra as células do câncer
  • Oferecendo ao sistema imunológico componentes feitos em laboratório, como proteínas do sistema imune.

Estes tipos também são chamados de terapia biológica ou bioterapia. Ela funciona melhor para alguns tipos de câncer do que outros, e ainda está em processo de aprovação para uso no Brasil e em outros locais do mundo.

Tipos de imunoterapia

Existem quatro tipos principais de imunoterapia contra o câncer:

Anticorpos monoclonais
São células de defesa humanas feitas em laboratório que podem atacar algumas partes específicas da célula tumoral. Comum no tratamento de pacientes com:

Inibidores dos check-points imunes

Essas drogas basicamente "freiam" o sistema imune, ajudando a reconhecer e atacar células de câncer. São utilizadas no tratamento de pacientes com:

Vacinas contra o câncer

Algumas partes das células tumorais podem ser mudadas em laboratório, diminuindo sua agressividade e devolvidas ao paciente para estimular o sistema imune a combater o câncer.

São utilizadas na prevenção de tumores relacionados à infecção pelo Papiloma Vírus Humano (HPV), como:

E também na prevenção do câncer de fígado relacionado a infecção pelo vírus da hepatite B:

Imunoterapias não específicas

São drogas que estimulam a resposta do sistema imune contra células de câncer. No entanto, elas estimulam o sistema imune de uma forma mais geral, e não específica como as anteriores. São utilizadas em pacientes com:

  • Câncer de rim metastático
  • Câncer renal
  • Leucemia mielóide crônica
  • Linfoma de células-T cutâneo
  • Linfoma não-Hodgkin folicular
  • Melanoma
  • Sarcoma de Kaposi

Efeitos colaterais

De maneira geral, a imunoterapia é melhor tolerada do que a quimioterapia, por exemplo, mas cada grupo destes medicamentos pode ter efeitos colaterais diferentes. Os principais são:

Anticorpos monoclonais

Inibidores dos check-points imunes

  • Coceira
  • Fadiga
  • Lesões de pele
  • Lesões em pulmão, rins e fígado
  • Náuseas
  • Perda de apetite
  • Tosse

Imunoterapias não específicas

  • Baixa contagem de glóbulos brancos do sangue
  • Calafrios
  • Cefaleia
  • Fadiga
  • Febre
  • Lesões de pele
  • Náusea
  • Perda de apetite
  • Vômitos

Imunoterapia é considerada um tratamento experimental?

Sim e não. Isso porque muitas drogas de imunoterapia ainda estão em fase de pesquisa, e outras passando por processos de aprovação pelas agências regulatórias ao redor do mundo, como a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no Brasil e o FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos.

Contudo, apesar disso, muitos tipos já são bem estabelecidos e aprovados pelas principais agências internacionais, então não é mais experimental e sim tratamentos pesquisados e sabidamente eficazes no tratamento de determinados cânceres.

Tempo de tratamento

O tempo de tratamento da pessoa com imunoterapia dependerá da eficácia que as drogas estão mostrando no combate ao câncer e da tolerância da pessoa ao tratamento. Nos estudos, elas têm sido usadas normalmente por até dois anos, mas a duração ideal do tratamento ainda não foi estabelecida.

Riscos da imunoterapia

Os maiores risco da imunoterapia são o tratamento não funcionar e os efeitos colaterais serem muito fortes, inviabilizando esta forma terapêutica para a pessoa. Porém, os efeitos colaterais da não são graves o suficiente a ponto de trazer riscos ao paciente.

Diferença entre quimio, radio e imunoterapia

A quimioterapia é um tipo de tratamento que introduz compostos químicos, os chamados quimioterápicos, na circulação sanguínea para combater o câncer. O mecanismo de ação depende de cada quimioterápico e atualmente existem diversos tipos.

A radioterapia é um método capaz de destruir células tumorais utilizando um feixe de radiações ionizantes no local em que o tumor está, ou seja, trata-se de um tratamento local. Normalmente os efeitos colaterais da radioterapia são mais brandos que os da quimioterapia.

Já a imunoterapia trabalha fortalecendo o sistema imunológico, ou seja, ela não destrói as células tumorais diretamente, mas sim estimula o próprio sistema imunológico da pessoa para que ele faça isso.

Referências

Renata D?Alpino, oncologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo - CRM: 126566/SP

Mariana Laloni, oncologista do Centro Paulista de Oncologia - CRM: 102379/SP. Robson de Castro Coelho, oncologista pediátrico do Hospital de Câncer Infantojuvenil de Barretos - CRM: 103492/SP

Artur Katz, médico oncologista e coordenador de Oncologia Clínica do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês - CRM: 41625/SP

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